Demorou, Mourão.

De Moro a Mourão, a semana foi de estranhezas. No meio, a decisão do STF de ferir, mais uma vez, a Constituição.

Sérgio Moro foi alvo de protestos, e continuou a dizer coisas que não deve, a exemplo do que já ocorrera durante evento em que foi agraciado como Brasileiro do Ano. Fez lobby pela PF e pediu para Temer interferir no STF.

Desta vez, foi na sede da Petrobrás. Sindicalistas, que silenciaram durante as tenebrosas transações que lesaram a petrolífera, chamaram o juiz de Curitiba de golpista. Certamente adeptos da seita lulista que aponta a Lava Jato como causa do apocalipse por que passa o Rio de Janeiro.

No interior do prédio, a pretexto de combater a corrupção, sugeriu que a estatal estabeleça um prêmio para servidores delatores. É a República do Dedurismo. O empregado que denunciar a existência de um crime cometido por colegas – chefes ou subordinados – faria jus a um prêmio robusto. Excesso de exposição faz muita gente perder o juízo.

Parece que quem perdeu o juízo foi a ministra Carmen Lúcia que votou a favor de Aécio há poucos dias, e agora vota o contrário, dizendo que não servem para as Assembleias as prerrogativas do Congresso. Isso deixa transparecer que aquele decisão foi só para salvar Aécio. Muitos ministros apontam o artigo 53 – das imunidades – que fala apenas em deputados e senadores.

Se não há nada em relação a deputados, o silêncio da Carta seria eloquente.

Eloquente mesmo é a literalidade da Carta, no parágrafo primeiro do Art. 27:

§ 1º Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando-se-lhes as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas.

O STF vem tomando decisões heterodoxas, rompendo jurisprudência conservadora. De onde se espera segurança jurídica, a Corte opta por experimentalismos, e ativismo judicial. Antes, justificava-se por alguma omissão do legislador. Agora, não. Decide-se contra a letra da Lei.

Juízes falantes, procuradores fazendo política, STF com decisões esdrúxulas, corrupção por todo canto. Você fica tendente a desabafar: Só mesmo a intervenção.

Mas aí vem Mourão, pra rapidamente dissuadir qualquer tentação para a aventura intervencionista. Rapidamente, foi exonerado do seu cargo burocrático na administração do Exército. Reincidente, já havia perdido comando da tropa quando criticou a então presidente Dilma Roussef. Na penúltima do Mourão, passaram-lhe a mão na cabeça. Agora, chutaram outra parte do corpo.

Já não era sem tempo a merecida punição, pela quebra de hierarquia e por fazer política dentro das Forças Armadas. É política isso que ele faz. Assim como fazem os procuradores da Lava Jato. Se quer fazer política, honre sua corporação. Se quer fazer política, siga o exemplo de Bolsonaro, de quem se diz eleitor: vá para a reserva e se candidate para defender suas ideias no parlamento. Mourão vai para reserva em março, poderia se conter um pouco mais até lá. Disciplina é uma das qualidades do militar.

E ainda mais com a qualidade do discurso que ele expressa. Antes, alertava o STF para não deixar os criminosos  livres e sem punição. Agora, diz que o governo revive uma sarneyzação, que Temer faz um balcão de negócios para se manter no poder.

A era Sarney não tem paralelo com a de hoje. A principal diferença era que o Brasil vivia uma inflação de mais de 80% ao mês. Hoje não passa de 3% ao ano. Só isso daí já invalidaria a comparação. Mas tem muito mais. Sarney não conseguia aprovar nada, para melhorar a economia. No Brasil de Temer, a economia para de andar para trás, sai da recessão histórica e começa a recuperar empregos. Recordes negativo nos juros, baixa inflação, queda de preços na alimentação.

No campo político, Temer aprovou diversas medidas – tão necessárias quanto impopulares -, desde a reforma trabalhista, a do ensino médio, entre outras. Além de escapar, por duas vezes seguidas, de ser denunciado no STF. Se isso não é demonstração de força, o que seria?

Quanto ao balcão de negócios, o general não especificou, mas se imagina seja o senso comum bastante divulgado na mídia: ganhou os votos comprando deputados com emendas parlamentares. O presidente não tem o poder de travar as emendas, que já tinham sido aprovadas no ano anterior no Congresso. Essas emendas são impositivas, isto é, o Executivo tem que cumprir.

Pois é, para quem gosta de defender a intervenção, já imaginou se essa intervenção for guiada por essa visão desinformada e autoritária? Pode piorar tudo, né?

Melhor deixar democracia prosperar e a gente aprender com os erros. E, principalmente, evitar que bandidos permaneçam no poder.

Moro e Mourão, cada um na sua função.

 

Hotelaria do Ceará brilha em ranking internacional

A hotelaria cearense, mais precisamente a de Jericoacoara, foi responsável pelo bom desempenho do Brasil no Prêmio de Excelência, que escolhe os melhores em 16 categorias. Dos sete premiados brasileiros, quatro são do Ceará – três de Jericoacoara, um de Aquiraz.

O Rancho do Peixe, na praia do Preá (foto acima), foi  considerado o melhor hotel com valor de luxo.

É também em Jericoacoara a melhor experiência para jantar, no The Chili Beach Private Resort & Villas.

No litoral oeste, o Ceará oferece também o melhor hotel à beira d’água: Carmel Charme Resort, no Aquiraz.

 

E o melhor, no Prêmio dos Leitores, é também de Jeri: Vila Kalango.

 

Fonte: Folha.

Sete hotéis brasileiros foram ganhadores dos Prêmios de Excelência da Condé Nast Johansens de 2018.

O grupo escolhe anualmente os melhores representantes de 16 categorias de serviços hoteleiros de luxo, separando as premiações entre a rede da América Latina e a de Canadá, Estados Unidos, México e Caribe.

Os eleitos são escolhidos por votação on-line de hóspedes. Nessa conta, entram em análise os relatórios dos hotéis feitos por especialistas da Condé Nast, publicados nos livros da editora.

Dos 7 representantes brasileiros, 4 estão no Ceará, dois em São Paulo e um em Pernambuco.

Veja a lista a seguir.

*

Hotel mais romântico
Nannai Resort & Spa, em Porto de Galinhas, Ipojuca, em Pernambuco

Melhor hotel pequeno e de uso exclusivo
Lake Vilas Charm Hotel & Spa, em Amparo, no interior de São Paulo

Melhor hotel com valor de luxo
Rancho do Peixe, na praia do Preá, no Ceará

Melhor experiência para jantar
The Chili Beach Private Resort & Villas, em Jericoacoara, no Ceará

Melhor hotel à beira d’água
Carmel Charme Resort, em Aquiraz, no Ceará

Melhor hotel para reuniões ou conferências
Hotel Unique, em São Paulo

Prêmio dos leitores
Vila Kalango, em Jericoacoara, no Ceará

A batalha da água, ou a guerra da desinformação

O deputado Roberto Roseno (PSOL) bradou hoje na Assembleia que o governador Camilo Santana está provocando a guerra da água. Não passa de desinformação, rebateu o secretário Francisco Teixeira (SRH).

Nós já tratamos esse assunto no rádio. Voltamos agora no blog porque o deputado fez o assunto jorrar de novo na tribuna. Segundo ele, o governo está retirando a água das comunidades para entregar às ferozes indústrias do Pecém.

Ele se refere a dois projetos. Um deles é do Lagamar do Cauípe, em Caucaia. Quando sangra, a lagoa despeja para o mar 20 mil litros por segundo. Vou repetir: a água corre para o mar, não é aproveitada nas comunidades.

O sistema só vai funcionar quando a lagoa estiver transbordando, e sua inteligência consiste em aproveitar a água que seria desperdiçada. Esses 200 litros por segundo serão transpostos para o sistema de armazenamento do Pecém que redistribui para as comunidades de Catuana e Umarituba, em Caucaia, para São Gonçalo do Amarante, e, também, para as indústrias.

Neste caso, em vez de críticas, o governo deveria ser aplaudido. É uma alternativa das mais viáveis – e barata – , é usar a tecnologia para conviver com as dificuldades no semiárido sem abrir mão do desenvolvimento.

Mas o que o discurso fácil, oportunista – um terrorismo inadequado, nas palavras de Temer – repete como mantra, e assim recitou o deputado diante das câmeras e microfones: estão tirando a água dos pobres para dar para as indústrias.

O outro projeto, igualmente crucificado com a mesma cantilena, é o de Perfuração de Poços na Taíba.

Serão perfurados 35 poços, com um duto horizontal entre eles que deságua em uma adutora, que repete o processo do outro projeto. Leva água para o hub no Pecém, que redistribui para seus consumidores – residenciais e industriais.

A novidade aqui é o aquífero da Taíba, sobre o qual poucos têm acesso a informação. O estudo não é recente porque levou tempo para ser realizado. O resultado é a confirmação de um potencial aquífero de 86 milhões de litros. Manancial renovável que é absorvido pelas dunas e nas águas de cada estação. Sendo que esta região é a que registra maior média de densidade pluviométrica do Estado.

O deputado argumentou que a população se utiliza da água do lençol freático, que sofrerá impacto com a transposição, prejudicando o povo, e meteu os índios entre os prejudicados. E charmoso defender as etnias. Com todo respeito, falava água o deputado. Vejamos os números.

A informação foi dada ao jornalista Carlos Mazza, para o blog Política, do O Povo, pelo titular da SRH, Francisco Teixeira,  a fim de rebater a “pura desinformação”: “Estudos mostraram que há  capacidade dessa região de se explorar algo entre 90 milhões de metros cúbicos de reserva renovável”. E sentenciou: “o que vamos explorar não chega a 10% do que tem disponível, e sem qualquer prejuízo”.

A resposta do secretário tem argumentos que derrubam o discurso fácil, que é mais fácil ainda de prosperar. Mas acho que deu uma rasteira intelectual quando falou do meio ambiente, tema tão caro aos envolvidos na causa:

“Se precisamos do lagamar e das dunas para tirar água, é óbvio que vamos preservá-los. Em Natal, o Parque das Dunas é intocado pelo avanço imobiliário porque há captação de água subterrânea”.

Por fim, ele também arrasou quando respondeu a crítica de que não caberia dispensa de licitação, já que a obra, segundo repetiu da tribuna o deputado, não seria emergencial.

“Se o Estado com capacidade hídrica de 8% não é emergencial, o que vai ser?

Sem informação, e açulados por quem devia informar, pessoas protestaram hoje.

O deputado pede a suspensão das obras até que alternativas sejam pensadas para prover o Pecém. Elas já existem, uma delas é o sistema de reúso de água nas indústrias. Outra alternativa foi a perfuração de 38 poços que estão em pleno funcionamento, jorrando água, sem prejuízos. Essa é mais uma. Temos que buscar todas as possibilidades de captação, armazenamento e distribuição de água. O governo vai muito bem nessa área.

 

 

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  • MÍDIA

Nosso encontro no rádio

 

Escute o Momento Hora da Notícia desta quarta-feira(06). Entre outros assuntos, manifestantes de Lula e Bolsonaro quase entram em confronto físico no Espírito Santo, em depoimento o debochado presidiário Sérgio Cabral afirma não ter culpa dos presentes doados a sua mulher por empresários e entrevista ao vivo com o ex-governador Lúcio Alcântara.

http://inconteste.com.br/wp-content/uploads/2017/12/Nosso-Encontro-06-12.mp3

A casta reage

A juíza Rosimayre Carvalho, da Justiça Federal de Brasília, suspendeu a propaganda do Governo que explica a reforma da Previdência, segundo a qual tem como objetivo combater privilégios: muita gente trabalha pouco, ganha muito e se aposenta cedo. A propaganda informa ainda que não muda nada em relação a aposentadoria rural. Também continua intocável o Benefício de Prestação Continuada. Que as aposentadorias de servidores, públicos ou não,  serão equivalentes.

Pois bem, a juíza viu “assédio moral” ao servidor público – a juíza é uma servidora pública – e resolveu se  imiscuir nas atividades do Executivo, proibindo-o de esclarecer a população sobre assunto tão relevante. A juíza ainda se julgou perita em economia ao afirmar que o governo mente quando diz que a reforma trará mais recursos para saúde, educação e segurança.

Esse assédio moral é da mesma categoria do trabalho escravo de Luislinda Valois.

A corporação reage contra os privilégios. A reforma – assim como o teto de gastos públicos – atinge o Judiciário. A magistratura é contra a  reforma, por interesse pessoal. Seguem o lema: nenhum privilégio a menos. Assim é que juízes condenados tem a aposentadoria antecipada, e salário integral – como punição máxima de seus crimes. A juíza deve receber auxílio moradia – mecanismo pelo qual os integrantes das cortes burlam a lei do teto salarial.

Essa excrecência suga R$ 1 bilhão dos cofres públicos. Não custa lembrar: metade da população brasileira não ganha nem mesmo o salário mínimo. O salário do juiz é, pelo menos, 30 vezes maior.

É o custo da casta.