A batalha da água, ou a guerra da desinformação

O deputado Roberto Roseno (PSOL) bradou hoje na Assembleia que o governador Camilo Santana está provocando a guerra da água. Não passa de desinformação, rebateu o secretário Francisco Teixeira (SRH).

Nós já tratamos esse assunto no rádio. Voltamos agora no blog porque o deputado fez o assunto jorrar de novo na tribuna. Segundo ele, o governo está retirando a água das comunidades para entregar às ferozes indústrias do Pecém.

Ele se refere a dois projetos. Um deles é do Lagamar do Cauípe, em Caucaia. Quando sangra, a lagoa despeja para o mar 20 mil litros por segundo. Vou repetir: a água corre para o mar, não é aproveitada nas comunidades.

O sistema só vai funcionar quando a lagoa estiver transbordando, e sua inteligência consiste em aproveitar a água que seria desperdiçada. Esses 200 litros por segundo serão transpostos para o sistema de armazenamento do Pecém que redistribui para as comunidades de Catuana e Umarituba, em Caucaia, para São Gonçalo do Amarante, e, também, para as indústrias.

Neste caso, em vez de críticas, o governo deveria ser aplaudido. É uma alternativa das mais viáveis – e barata – , é usar a tecnologia para conviver com as dificuldades no semiárido sem abrir mão do desenvolvimento.

Mas o que o discurso fácil, oportunista – um terrorismo inadequado, nas palavras de Temer – repete como mantra, e assim recitou o deputado diante das câmeras e microfones: estão tirando a água dos pobres para dar para as indústrias.

O outro projeto, igualmente crucificado com a mesma cantilena, é o de Perfuração de Poços na Taíba.

Serão perfurados 35 poços, com um duto horizontal entre eles que deságua em uma adutora, que repete o processo do outro projeto. Leva água para o hub no Pecém, que redistribui para seus consumidores – residenciais e industriais.

A novidade aqui é o aquífero da Taíba, sobre o qual poucos têm acesso a informação. O estudo não é recente porque levou tempo para ser realizado. O resultado é a confirmação de um potencial aquífero de 86 milhões de litros. Manancial renovável que é absorvido pelas dunas e nas águas de cada estação. Sendo que esta região é a que registra maior média de densidade pluviométrica do Estado.

O deputado argumentou que a população se utiliza da água do lençol freático, que sofrerá impacto com a transposição, prejudicando o povo, e meteu os índios entre os prejudicados. E charmoso defender as etnias. Com todo respeito, falava água o deputado. Vejamos os números.

A informação foi dada ao jornalista Carlos Mazza, para o blog Política, do O Povo, pelo titular da SRH, Francisco Teixeira,  a fim de rebater a “pura desinformação”: “Estudos mostraram que há  capacidade dessa região de se explorar algo entre 90 milhões de metros cúbicos de reserva renovável”. E sentenciou: “o que vamos explorar não chega a 10% do que tem disponível, e sem qualquer prejuízo”.

A resposta do secretário tem argumentos que derrubam o discurso fácil, que é mais fácil ainda de prosperar. Mas acho que deu uma rasteira intelectual quando falou do meio ambiente, tema tão caro aos envolvidos na causa:

“Se precisamos do lagamar e das dunas para tirar água, é óbvio que vamos preservá-los. Em Natal, o Parque das Dunas é intocado pelo avanço imobiliário porque há captação de água subterrânea”.

Por fim, ele também arrasou quando respondeu a crítica de que não caberia dispensa de licitação, já que a obra, segundo repetiu da tribuna o deputado, não seria emergencial.

“Se o Estado com capacidade hídrica de 8% não é emergencial, o que vai ser?

Sem informação, e açulados por quem devia informar, pessoas protestaram hoje.

O deputado pede a suspensão das obras até que alternativas sejam pensadas para prover o Pecém. Elas já existem, uma delas é o sistema de reúso de água nas indústrias. Outra alternativa foi a perfuração de 38 poços que estão em pleno funcionamento, jorrando água, sem prejuízos. Essa é mais uma. Temos que buscar todas as possibilidades de captação, armazenamento e distribuição de água. O governo vai muito bem nessa área.

 

 

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