A ciranda política do Judiciário

Nestes tempos conturbados de acusação de perseguição judicial, law fare, resolvi checar a indicação política de cada um dos ministros do STF nomeados no período democrático.

Até a morte de Teori Zavaski, o PT tinha nomeado a metade dos 26 ministros: 13 (esse número diz alguma coisa?)

A nomeação mais recente foi de Michel Temer, que nomeou seu então ministro Alexandre de Moraes, elevando para 27 o número de ministros durante o período pesquisado.

O primeiro ministro do STF a ser nomeado foi do Maranhão, indicado por José Sarney: Carlos Madeira. O presidente maranhense nomeou mais quatro: Célio Borja, Paulo Brossard, Sepúlveda Pertence e o único remanescente e decano da corte, Celso de Melo.

Fernando Collor nomeou quatro: Carlos Velloso, Marco Aurélio, Ilmar Galvão e Francisco Rezec.

Itamar Franco nomeou Maurício Corrêa.

Fernando Henrique Cardoso nomeou Nelson Jobim e outros dois personagens marcantes. A primeira mulher a compor o pleno da Corte, com irretocável elegância. E o atuante Gilmar Mendes.

Lula mais que duplicou as nomeações de FHC, chegando a oito magistrados. O primeiro foi Ayres de Brito, depois Cezar Peluso, e então o primeiro negro no supremo, Joaquim Barbosa. Vieram Eros Grau, Ricardo Lewandowski. Depois, atual ministra, Cármen Lúcia, e Dias Toffoli.

Dilma Roussef indicou cinco: Luiz Fux, Rosa Weber, Teori Zavascki, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin.

Dos 11 da composição atual, sete foram nomeados pelo PT, três por Lula e quatro por Dilma. Os outros três, foram indicados por Sarney, Collor e FHC.

Portanto, se há perseguição política, essa não seria originada das indicações. Não seriam ministros indicados por adversários a perseguir os réus da Lava Jato.