Cinquenta tons de Temer

O presidente Michel Temer entregou ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta-feira (18)  suas respostas às 50 perguntas feitas pela Polícia Federal, dentro do inquérito que investiga suposta ilegalidade na edição do decreto que ampliou o período dos contratos de concessão na área de portos.

O tom das respostas foi das burocráticas negativas, que chegou a responder três perguntas de uma só vez, até à exacerbação, quando reclamou da impertinência das questões, “por colocar em dúvida minha honorabilidade e dignidade pessoal”. E manteve o diapasão na última questão, de número 50: “Reitero a agressividade, o desrespeito e, portanto, a impertinência, por seu caráter ofensivo”.

Segundo a denúncia, o decreto seria acrescentado de uma cláusula para beneficiar empresas que obtiveram concessão antes de 1993, o que beneficiaria a Rodrimar. Só que a cláusula não constou do decreto. Portanto, a empresa não foi beneficiada, o que já diminui o impacto da acusação.

Esta é mais uma denúncia oferecida pelo ex-procurador Rodrigo Janot, e que obteve a autorização do ministro Luís Roberto Barroso. Foi a última flecha do guerreiro. No mesmo dia da resposta, o Globo publicou resultado do inquérito que investigou se haveria algum ministro do STF envolvido nas gravações da JBS. Apesar do inexplicável alarido de Janot, dando conta de suspeitas “gravíssimas”, não há nada que envolva qualquer ministro do STF.

Acesso ao PDF das perguntas e respostas, aqui.