Ségovia diz que Janot estragou investigação da PF

O novo diretor da Polícia Federal, Fernando Segóvia, insinuou que Janot atrapalhou as investigações da PF, ao divulgar fora de hora a ação controlada feita pelos agentes federais. E foi específico, ao dizer que uma única mala não seria suficiente para materialidade do crime. Ele tem toda razão. Ao contrário do que a mídia nos quer fazer crer, em especial pelos colunistas da Globo News.

Antes de assumir, Segóvia já lançara flechas contra o ex-procurador Rodrigo Janot, a quem acusou de gerar cizânia entre as duas instituições, disputando poder motivado por “orgulho e vaidade”. A PGR vivia em pé de guerra sobre quem pode firmar acordos de colaboração, que a PGR quer como primazia. A peleja está no STF, tendente a aceitar que a PF também possa se utilizar, já que é instrumento de investigação.

E fica todo mundo fazendo piadinha com as malas de Geddel e de outras malas, quantificando as provas. Esquecem-se de um detalhe, que talvez o diretor não tenha deixado claro. Aquela mala da corridinha no estacionamento não chegou às mãos de Temer. A prova serve apenas contra o maleiro.  Houve pressa: se foi prometido que haveria mais entregas, bastava acompanhar as demais. Numa hora, se era verdadeira a versão, chegaria ao chefe. E, enfim, teríamos as provas. Sem essa prova, fica o imaginário popular – expressão de Segóvia – a se perguntar.

Em outras palavras, o açodamento vindo do orgulho e vaidade pôs abaixo todo o trabalho da Polícia Federal, e ficamos sem a prova. Essa barbeiragem é que leva à impunidade. Segundo dizem, a pressa de Janot era política, queria se manter no cargo ou evitar que a desafeta assumisse. Para isso, ofereceu o paraíso ao Batista, aquele que, diferentemente do bíblico, ainda não se arrependeu. Quando dirá a real verdade?

A aproximação de procuradores e bandidos – pelo constante contato nas delações – acabou contaminando o ambiente institucional. Havia ali alguns bandidos, e muitos malas.

Taí a frase de Segóvia, literal:

“A gente acredita que, se fosse sob a égide da Polícia Federal, essa investigação teria de durar mais tempo porque uma única mala talvez não desse toda a materialidade criminosa que a gente necessitaria para resolver se havia ou não crime, quem seriam os partícipes e se haveria ou não corrupção”.

Com informação da Folha.