carlos marun

Tudo está no seu lugar

Carlos Marun já deu o que tinha que dar. Na Câmara. Na ofensiva para a derrubada das denúncias solertemente oferecidas por Rodrigo Janot. Agora foi deslocado para o meio de campo, no relacionamento com governos, grandes influenciadores de votos no Congresso.

A premência do tempo dispensa floreios, ou não seria Marun o indigitado. E ele sapecou:

“O governo espera daqueles governadores que têm recursos a ser liberados, financiamento a ser liberado, uma reciprocidade no que tange à questão da Previdência”

Simples assim. Os governadores e prefeitos precisam de recursos federais, mas o cofre está escasso. Vide o caso do Rio de Janeiro e o vizinho do Norte, sem pagar os salários dos policiais. Para ter dinheiro, precisa reformar a Previdência. Dê cá seu voto para as reformas, e eu libero os financiamentos.

Segundo o governo – e o mercado -, a economia, que vem se recuperando, pode acelerar seu crescimento, e ampliar a retomada do emprego. Esse cenário – bom para os brasileiros – favorece o governo, que pode influenciar sua sucessão. Os nomes estão no ventilador, e não se descarta a reeleição. Para muitos, um devaneio.

A oposição pretende adiar/reprovar as reformas, impulsionada por grandes grupos de pressão principalmente de corporações da administração pública, alvo principal das mudanças, que aproveitam a exigência do ajuste fiscal para derrubar privilégios encrostados nos organogramas oficiais. Sem falar da folha de pagamento e seus penduricalhos a competir com árvore de Natal.

A crueza desse “toma lá da cá” é o exercício da política. Não pode a União bancar o desgaste, e os entes federativos colherem as primícias dos frutos sem a dor e o labor da plantação. Exigem o bônus sem querer o ônus de lutar por ele. No pain, no gain.

Marun colocou as coisas em seu devido lugar, e logo disseram que era chantagem. É, eles realmente estavam acostumados a outro tipo de negociação.  Não se esqueçam de que ele abriu mão de disputar a reeleição, aceitou o cargo como missão. Saiu do varejo para o atacado. E mandou ver.

Benito de Paula se irritou com o deputado, quando o parlamentar festejou a vitória sobre a oposição fazendo uma paródia da famosa música. Benito foi à mídia: “Tudo está no seu lugar, o caralho!”.

De repente o deja vu: ouvi essa mesma expressão muito repetida pela moçada da faculdade, sobre o refrão do sucesso dos anos 70. A canção, estilo música exaltação, segundo eles, era um hino à ditadura de Geisel, era do milagre brasileiro.

Tudo está no seu lugar, graças a Deus.